adicionar aos favoritos | Lençóis Paulista/SP

19/10/2008 22:01
o homem tenta.
tenta não se humilhar, não demonstrar qualquer fraqueza.
mas há a hora de chegar em casa, descalçar os sapatos, tomar aquele banho morno e esquentar o resto do que tem no microondas. é quando o homem percebe o quanto é fraco.
aqueles que pensei inquebrantáveis já me provaram nao o serem. o homem exemplo de auto-suficiência, clímax da inteligência e meu admirado eterno chorou. chorou como nunca vi e imaginei, pobre da mãezinha que falecera velhinha. chorou e derramou as lágrimas que pensei jamais caírem de seus olhos.
o homem tenta mesmo parecer forte, encobrir com risos e piadas seus fracassos, frustações, medos. mas bastam algumas doses de álcool ou de saudade para ele desabafar; daí, se torna o mais vulnerável dos fracotes. seja um trauma de infância, vergonha física ou a eterna luta contra o fracasso profissional e amoroso. o homem grita agudo, espalha seu desespero e envergonha não só ele mesmo, mas também quem o vê - o espectador do lamentável lamento compreende, mas preferiria evitar presenciar o jorro dessa realidade de um amigo: impotência, desespero, uivos agudos, ranger anacrônico de dentes.
expor, ao pé da letra, o sentimento disfarçado, nos torna fracos e reféns daquilo que procurávamos tecer como nossas principais fortalezas: a estabilidade e a ausência de medo. só nos resta vomitar e tentar expurgar tudo aquilo que viram e que descobriram sobre nós. juntos da ressaca e do engov pareceremos novamente másculos e sustentáveis.
(ouçam "amor, amor, amor", de rafael castro, que talvez combine com esse papinho)